"Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Jamais quis alguma coisa já quis alguma coisa já?
Já quis demais alguma coisa já?
Já?"
(Titãs)
Titãs, "Já"
* A essa altura do campeonato, acho que já dá pra fazer uma avaliação da minha "vivência universitária". Se você não sabe ou não faz idéia, passar uns tempos vagando em corredores universitários muda bastante o jeito que você pensa e encara as coisas. Principalmente de alguém que ingressa numa universidade como eu era na época - 17 anos, cdf ao máximo, politicamente correto ao extremo, ex-estudante de colégio católico-salesiano, ouvinte de fm's, descobridor recente dos benefícios do ato sexual e dono de uma paciência que nem Jó tinha.
* Certamente, se não tivesse entrado na faculdade, acho que estaria até hoje num cursinho desses da vida. Muito provavelmente bancando o cdf, aquele que só estuda, estuda e quando sobra um tempo, estuda um pouco mais. Acho também, sinceramente, que não ia demorar muito nesse esquema - do jeito que eu era cdf, seria questão de tempo até que eu conseguisse passar para alguma coisa...
* Esse alguma coisa, óbvio, leia-se "Jornalismo". Desde o ginásio não considerava outra possibilidade.
* Hoje eu já considero, só pra abrir um rápido parêntese.
* Acredito também que, se tivesse adiada a minha entrada na universidade, estaria me comportando ainda hoje como um velho precoce, vestindo camisas de botão com estampas quadriculadas, sapatilhas, jeans e meia soquete à mostra. Hoje eu ainda curto esse tipo de roupa, mas uso com bem menos frequência do que antes. Era quase uma farda, pra falar a verdade.
* Em termos mais subjetivos, a universidade mudou bastante algumas das minhas idéias. Inexplicavelmente, numa instituição de ensino superior você aprende a conviver de forma mais amena com 1) bêbados; 2) filhinhos de papai; 3) pessoas estúpidas 4) pessoal de esquerda - eu, inclusive, pude aprender o que de fato significava dizer que "alguém é de esquerda".
* E você aprende a ser mais descolado e ter mais jogo-de-cintura para lidar com 1) mulheres legais (que podem vir a ser futuras namoradas); 2) putas (que jamais serão futuras namoradas) e 3) compromissos profissionais - trabalhos, provas, chefes e professores (que renderão, um pouco mais à frente, futuras gargalhadas)
* Além, é claro, de aprender a mentir descaradamente para pais, primos, professores e amigos da época do colégio católico- salesiano, que não podem saber de tudo que uma universidade pública e (in) decente proporciona.
* Na época da faculdade, também pude conhecer pessoas que largaram tudo por um amor distante (bonito, né? só na minha sala foram dois). Aprendi mais sobre rock alternativo/independente, comecei a curtir raves e música eletrônica - alienígena e incompreensível até então - e pude conhecer pessoas maravilhosas que, em conversas, corredores, e rápidos ou looongos bate-papos, me ensinaram bem mais que certos professores.
* Enfim: o que você ainda faz nessa vida de cursinho?
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Pílula nº 7 do dicionário "Para entender o Pornô":
Blow-job: Consiste em uma ejaculação masculina na cara da (o) parceira (o). Às vezes, aceita um acompanhamento - a ejaculação dentro da boca (também chamado swalowing).
EDUARDO OLIVEIRA [11:43 AM]
"Pensamentos viram fumaça na tarde
Condensando o alento de uma esperança feita de nuvens
Sonhos com uma trégua de orvalhos noturnos
Desaparecem no bafo quente do agouro de mais e mais e mais desertos
E a alma se entrega chorando
Numa última oração à primeira estrela que resta
Como se pudesse reinventar horizontes
Para manhãs abandonadas"
(Lobão)
Lobão, "A Véspera"
* O mundo é cruel, muito cruel.
* Nos exigem posicionamentos firmes quando tudo o que nos dão são exemplos medíocres. É tão difícil assim defender certos valores? Ou devemos nos mascarar, engolir a seco absurdos em nome do "se dar bem"?
* Vivemos num mundo de mais, mais, mais...
* É tão utópico assim almejar uma sociedade mais justa, mais igualitária? Um ambiente que não seja baseado na segregação, na exclusão, na concentração, na exploração?
* Não é questão de benevolência - é bom senso. Somos seres coletivos, vivemos em coletividade, frequentamos espaços sociais abarrotados de gente, dependemos do trabalho dos outros, da aprovação dos outros, da doação dos outros, das concessões dos outros...
* É difícil reconhecer que, por mais que se queira, é impossível ser um completo na solidão? precisamos de doação, de amor, de camaradagem... nosso físico-psíquico-espiritual-fisiológico só em saudável multidões, orgias de almas, de vozes, de idéias...
* Escondem as respostas, mas não poupam perguntas.
* O mundo é cruel, muito cruel.
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Pílula nº 6 do dicionário "Para entender o Pornô":
Black kiss: Beijo no er... hã... hum... ânus. É uma opção frente a ausência de cremes ou lubrificantes. : )
EDUARDO OLIVEIRA [9:13 PM]