"Tudo o que eu mais quero
Você não tem
O que você tem
É só do que eu preciso
Tudo o que você sempre quis
Eu não sou
Do que você precisa
É só o que eu sou
Não tenho rosto
Nada do que você possa
Se lembrar depois
Só o gosto
Por essas cenas
Que fazem você vibrar"
(Paulo Miklos)
Paulo Miklos & Marina Lima, "Orgia"
* Numa certa, eu estava caminhando rumo à parada de ônibus. O sol estava atingindo picos, as pessoas corriam para dar conta de suas pendências e os carros desfilavam, apressados, pela avenida. Eu ia contando frestas no asfalto ruim. E prestando atenção nos meio-fios quebrados. O jeans ia caindo e o suor se insinuava em minha testa.
* Eis que, repentinamente, uma mulher maltratada, na casa dos quarenta, se põe em minha frente. Maltrapilha, e acompanhada de cinco crianças. Crianças mesmo. Os pequenos, tal qual um agitado grupo de macaquinhos, se penduravam nas roupas da mãe, agarrando onde houvesse brecha. Provavelmente famintos e cansados, sua algazarra só terminou quando a mãe soltou:
* "- Ei, moço, me arranja um passe de ônibus?"
* A boca, a voz e a expressão tentavam esconder a malícia dela. Mas os olhos e as sombrancelhas a traiam.
* "É uma bandida", pensei.
* Opção n° 1 - "Tenho só dois Trident, uma nota fiscal velha e um ticket amarelo do R.U. Vai ou racha?"
* Opção n° 2 - "Minha senhora, tu tá louca? Tu acha que eu arranjo passe estudantil pegando no galho do vizinho e pondo no bolso? Vai trabalhar, vagabunda. A vida não tá fácil pra ninguém, não."
* Opção n°3 - "Porra, manda esse monte de moleque ir pra escola e arruma um emprego, pô! Pára de assistir o Luciano Huck e arranja algo que preste pra fazer. Passe de ônibus? Nem fudendo!"
* Instantaneamente respondi:
* "- Minha senhora, me desculpe, mas não tenho agora. Quem sabe numa outra hora?"
* Eu sou mesmo muito bonzinho. Me sinto um(a) o(v)relha de vez em quando.
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Pílula n° 13 do dicionário "Para Entender o Pornô":
Dildo: Brinquedinhos sexuais que servem à penetração, como os vibradores e os pênis de plástico. Bastante utilizados nas cenas com lésbicas.
EDUARDO OLIVEIRA [7:48 PM]
Ua-lá!
* Segue abaixo uma entrevista que fiz com a Prof. Ana Maria Fadul, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), durante a XV Semana de Estudos da Comunicação. Este trabalho foi publicado num boletim informativo que o pessoal da minha sala publicou durante o evento, mas aqui ela está completinha - no informativo ela foi editada. Só não deu pra reproduzir o sotaque da professora ( e olha que eu tentei).
¿Faltam idéias para a produção regional¿
Em entrevista à nossa equipe, a professora afirmou que é possível fazer programas com baixos custos, salientou a importância das empresas de comunicação locais e disse ser impossível desvincular as questões de mídia dos aspectos sociais da região
A Profª. Drª. Ana Maria Fadul, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), esteve no auditório Rio Solimões na manhã de ontem para a abertura da XV Semana de Estudos da Comunicação. Em sua palestra, a professora falou sobre mídia, região e globalização. Logo após sua fala, ela conversou com nossa equipe de reportagem sobre algumas questões postas durante sua explanação.
BI - O que significa, para os grupos de mídia, o termo regionalização?
Ana Maria Fadul -Do ponto de vista dos grupos regionais, traz aí a possibilidade de você ter um maior diálogo com seu público. Nós temos dados muito interessantes, pois existem alguns jornais do meio dia que possuem mais audiência que o Jornal Nacional. No caso do Sul, o jornal do meio dia deles tem mais audiência do que o Jornal Nacional. Então para o grupo de mídia regional, há um grande interesse em ter esse maior contato. Quer dizer, o jornal já é uma mídia local e regional, o rádio também (está mais próximo) . No caso da tv, é uma questão de custos. Custa muito caro fazer uma produção regional. Isso por um lado. De outro lado, acho que faltam idéias. Porque você tem possibilidade de fazer programas com baixos custos mas com grandes idéias. No rádio, a mesma coisa. Eu acho que a nossa crise da programação regional é uma crise de conteúdo, de idéias, nós não estudamos na universidade os gêneros radiofônicos, os gêneros televisivos para conseguir encontrar gêneros e formatos que tenham qualidade. Então, nem sempre a produção regional é uma produção de alto custo. O maior custo da produção regional é de idéias, de imaginação e criatividade. Acho que falta realmente a universidade trazer isso aí, trabalhar mais à sério. Então eu pergunto: se estuda mídia na universidade? Televisiva, radiofônica e impressa? Eu tenho minhas dúvidas.
(...) Certa fez assisti a uns documentários fantásticos. Um deles era sobre salsinha, outro sobre alho. Quer dizer, há um espaço aí para falar da cultura regional, você pode fazer aí um belo documentário sobre o uso da salsinha na culinária amazonense. São coisas muito próximas. Na Nova Zelândia e Austrália, se dá uma importância muito grande aos programas de jardinagem. Você tem aspectos tão importantes da vida cotidiana que poderiam estar na programação de uma televisão regional. Como é que você articula a programação de uma televisão regional? É somente com um profundo conhecimento da cultura local. E isso a universidade tem, ela conhece a cultura, conhece a sociedade amazonense. Por exemplo, os programas com as colônias de imigrantes. Por que há apenas os programas policialescos? Será que o povo gosta só disso? Gosta também de outras coisas que não são oferecidas. Eu acho que falta criatividade nas universidades para se propor outras coisas.
BI - Como o estudante pode trabalhar esse conceito de regionalização no mercado de trabalho sem depender de patrocínios ou de empresas comerciais?
AMF - Bom, acho que nem sempre depender de patrocínio é uma coisa negativa. Acho que você pode ter um belo programa e encontrar um patrocínio, isso não interfere na qualidade do seu programa. Acho que a grande questão de um programa é construí-lo e pensar com que público você quer falar. Até aí tudo bem, desde que o patrocínio não seja espúrio ou ilegal. Agora existe uma outra possibilidade que são os canais universitários. Acho que aí entra a questão de você ter espaço e ter imaginação, criatividade e competência. Sem essas três coisas não se faz um programa de televisão¿a não ser repetir o que já existe. Eu acho que até mesmo um programa de crimes poderia ser uma coisa fantástica. Eu assisti muito na Itália, na Rai 3, um canal controlado na época pelo partido comunista, que lançam uma série de reality-shows que eram baseados naquilo que é ancestral, o crime. O crime faz parte da história da cultura humana. Se você pegar a tragédia grega, Shakespeare, romances policiais, é um crime atrás do outro. Quer dizer, há um grande interesse neste tema. É possível fazer um programa sobre crimes desde que você mantenha uma postura com relação a isso tudo que estou colocando. Não um programa para prender criminosos. Programa de crimes também pode ser um programa cultural. Pode ser uma coisa fascinante para o telespectador. Nós tivemos exemplos, em São Paulo, o Gil Gomes transformava um crime num fato transcendental, ele queria saber o porquê daquele gesto. Não estava interessado na polícia nem em nada. O crime aconteceu e ele quer entender o crime. Até isso você pode fazer, desde que você tenha cultura. Se você tiver uma boa visão da história da cultura, você vai ter condições de lidar com qualquer assunto - culinária jardinagem, crime... Eu acho que está faltando um pouco de imaginação no poder acadêmico. Falta imaginação, realmente.
Qual a importância do debate sobre regionalização entre os comunicadores da região norte?
AMF ¿ Fiquei chocada quando soube que não há o menor fluxo e contra-fluxo de informação entre os estados da Região Norte. As revistas, os jornais e os programas de rádio não circulam. Acho que essa é uma questão muito séria. Há também a questão da geografia, a selva, os rios, a ausência de transportes. Então a gente precisa entender isso aí, mas uma integração seria muito importante. Acho que a universidade é um belo ponto de integração. Tenho conversado com o profº. Narciso sobre a possibilidade de realizar um seminário de pesquisa regional que é o Sipec da Intercom. Aqui nunca foi feito nenhum Sipec, aí você teria todos os estados da região discutindo a questão da mídia regional. Seria um belo ponto de partida. Os alunos devem voltar os olhos para sua realidade, tentar entender essa realidade. Sua realidade não é uma realidade menor, isso é o que eu queria mostrar. A mídia regional não é inferior à mídia nacional nem internacional, ela tem que estabelecer interações. Interações de fluxo e contra-fluxo entre veículos regionais, nacionais e internacionais.
Como a senhora observa o desenvolvimento da comunicação na Região Norte?
AMF ¿ Bom, nos anos 70, quando estive pela primeira vez na região, não havia tv por aqui. Então a mudança é muito grande. E esta mudança está ligada à mudança econômica. Não se reconhece hoje Manaus. A Manaus dos anos 70 não é a Manaus da primeira década do século XXI. A mudança é impressionante. No hotel, eu fiquei olhando as pessoas que estavam lá. É um público completamente diferente, somente profissionais, alguns coreanos. Na primeira ocasião aqui, em 72, fiquei num hotel no centro da cidade, e não havia esse público. Na época, havia somente uma cultura de compra e venda nas viagens para a região, em virtude da Zona Franca. Hoje não, hoje temos indústrias aqui. Então a cidade e a região mudam muito. Então a mudança é muito grande, e do ponto de vista da mídia também. A grande mudança, acredito, foi a televisão.
Como a senhora observa o desenvolvimento da comunicação na Região Norte em relação ao resto do País?
AMF ¿ A Região Norte tem o sistema midiático menos desenvolvido. Possui o menor número jornais, o menor número de rádios. Isso ocorre porque esse sistema também possui a menor população, o menor PIB, o menor número de cidades. O que impressiona na região é você ter um estado como o Acre, com apenas 22 cidades. É um vazio populacional absoluto. Praticamente não há população vivendo no campo. Os mapas da região norte são impressionantes, é um vazio populacional. E quando você fala em vazio populacional, isso não rima com mídia. Mídia rima com um mercado como o de São Paulo, com 17 milhões de pessoas. O que acontece com São Paulo? Eles tem lá a maior parte das redes, as sedes das agências de publicidade estão todas lá. No Rio funcionam apenas sucursais, nem filiais são. Então você tem o maior número de empresas de mídia, o maior número de agências publicitárias do Sudeste, e o maior número de anunciantes também. Isso rima com mídia. Anunciantes, agências, empresas de mídia, que rimam com população, cidade, com PIB. Então não podemos falar que este é o menor sistema midiático do Brasil sem colocar todas essas questões. Devemos falar também da menor população brasileira, do menor PIB, o alto índice de analfabetismo. Os sistemas de mídia não podem ser entendidos sem essas questões da demografia, da economia e da educação
EDUARDO OLIVEIRA [3:19 PM]
* Ando muito inofensivo ultimamente.
* Tô precisando espancar alguém.
* Ao som de Cure for Pain, do Morphine.
* Com um sapato de couro laranja e blusa de seda vermelha.
* E dois anéis de ouro grossos e pesados, um em cada mão.
* E Óculos 'blaxpotation'.
* Tô precisando bater em alguém.
EDUARDO OLIVEIRA [7:08 PM]
"A warning sign
I missed the good part, then I realised
I started looking and the bubble burst
I started looking for excuses
Come on in
I've gotta tell you what a state I'm in
I've gotta tell you in my loudest tones
That I started looking for a warning sign
When the truth is, I miss you
Yeah the truth is, that I miss you so
A warning sign
It came back to haunt me, and I realised
That you were an island and I passed you by
And you were an island to discover
Come on in
I've gotta tell you what a state I'm in
I've gotta tell you in my loudest tones
That I started looking for a warning sign
When the truth is, I miss you
Yeah the truth is, that I miss you so
And I'm tired, I should not have let you go
So I crawl back into your open arms
Yes I crawl back into your open arms
And I crawl back into your open arms
Yes I crawl back into your open arms. "
(Guy Berryman/ Jon Buckland/ Will Champion/ Chris Martin)
Coldplay, "A Warning Sign"
* Há sensações que só uma música consegue refletir com exatidão.
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Pílula n° 13 do dicionário "Para entender o Pornô":
Cumnilingus: Sexo oral na mulher. Também conhecido como mouse diving ou muff diving.
EDUARDO OLIVEIRA [12:55 AM]