Domingo, Janeiro 23, 2005 :::
¿Eu já tentei de tudo
pra me modificar
os vícios eu larguei
até Deus fui procurar
mas num mundo tão sincero
não há lugar pra mim
todos dizem a verdade
só eu sou falso assim¿
(Branco Melo/Ciro Pessoa)
Titãs, ¿Eu não Presto¿
* Vamos lá: Você acorda às sete da matina. Cambaleando e ainda sonolento, toma um banho, bebe seu café, arruma os materiais e parte para a Universidade. O sol é de uma crueldade só, não respeita seus olhos semicerrados e sua disposição ainda tímida. No caminho até a parada de ônibus, você boceja inúmeras vezes, conseqüência do domingo bem aproveitado na companhia da namorada e dos amigos.
* À medida que os carros e pedestres anônimos vão passando na janela do seu ônibus, você vai acordando. Mais vinte minutos do seu insipiente dia se vão no Terminal, esperando outro veículo que ruma ao Coroado. Chegando lá, mais uma vez você troca de veículo. Porém, esse é o Integração, que vai direto ao Campus.
* Pisando nas lajotas amarelas que percorrem toda a universidade, você se depara com várias caras ¿ algumas conhecidas e outras, não. Mas todas ainda aparentam estar inertes, lentas, como se a falta de vontade para despertar fosse generalizada, como se todo mundo
esperasse que aquele domingo durasse mais. Você repara nos murais, nos avisos, nos
anúncios, nos panfletos, nos papéis pendurados e entra na sala.
* Nas próximas cinco horas, você presencia um rodízio de professores que, aparentemente, compartilham daquela vontade de ter um domingo maior. Mau humor, má vontade, grosseria... é evidente que, embora sejam sujeitos diferentes, cada qual tem lá seu problema. Não são pessoas ruins, mas poderiam ser mais afáveis com os alunos. Você ouve bastante coisa, anota algo aqui e ali e deixa escapar bastante conteúdo. Tudo bem, é impossível guardar tudo mesmo. Depois a gente pede o caderno emprestado de alguém.
* Você joga o olhar lá fora, procurando algo que desperte maior interesse. Os cães que passeiam nos corredores e os outros alunos entram por um lado da janela e saem pelo outro, cada qual preocupado com suas próprias questões. Alguns estudantes andam sérios, solitários. Outros, alvoroçados, gargalham alto e em bando. Tem quem carregue infinitas coisas, tem quem passe sem material algum. Algumas meninas esqueceram de pentear o cabelo ¿ ou o vento fez a maldade de descabelá-las. Há quem siga seu caminho sem olhar para frente. Vai atento, concentrado na palma da própria mão. Deve estar contando moedas, você imagina. Eles se vão.
* As árvores e folhas se sacodem. Balançam preguiçosamente para lá e pra cá, sem sair do lugar que ocupam na janela. Daria para pintar um quadro muito bonito, se você soubesse pintar. Depois você pode dar a idéia para o cara metido a artista da sua sala. Talvez ele goste da idéia. Ou não. Vai que de repente ele gosta de pintar outra coisa? Ou será que ele pinta mesmo? Você já não tem certeza e resolve deixar isso para lá. Bobagem.
* O último professor libera a turma. Todo mundo arruma seus livros e cadernos, alguns mais apressados que outros. Tem gente que vai embora sem dizer tchau para ninguém. Falta de educação. Alguns fulanos da sua sala rumam ao estacionamento, começam a buscar as chaves nos bolsos e as giram nos dedos. Conversam enquanto vão indo, dando a entender que o diálogo não vai muito longe. Alguém aceita a carona. O papo vai longe sim, você se enganou. A maior parte da classe vai à parada de ônibus - o movimento já é grande, a Universidade agora parece uma Universidade. É gente pra lá e pra cá, correria, burburinho nos corredores, os ambulantes de café da manhã já se retiraram. Os cachorros não. O sol, injusto nas primeiras horas da manhã, exibe requintes de sadismo. Não perdoa ninguém, ativa o suadouro geral. Castiga os góticos de plantão e os que vestem preto. Tem gótico que não se incomoda. Tem gente que não sua. Tem gente que reclama à beça.
* Normal.
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Pílula n° 17 do dicionário ¿Para Entender o Pornô¿:
Fist fucking: Penetração na vagina da atriz com o punho.
::: posted by EDUARDO OLIVEIRA at 7:46 PM