Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005 :::
"Você é covarde demais
Pra entender o quanto é intenso
Sei o que é o fel e o mel
Ao contrário do que pensa você"
(Dead Fish)
Dead Fish, "Queda Livre"
* Eu fiz uma pergunta e ela disse não.
* Caio de joelhos, meu peito queima, meu sangue parece ferver nos antebraços. Meu ego vai sendo esmagado e comprimido aos poucos, como se fosse alvo de golpes violentos e destruidores. Vai diminuindo, diminuindo, fazendo com que eu me sinta cada vez menor. E menor. E menor. E menor. Tremia.
* Lágrimas começam a jorrar, eu vi, elas brilhavam. Cintilavam de dor e de ódio. Dançavam cálidas pela minha face, escorregavam pelos meus poros, umedeciam minha barba, construindo seu caminho ao acaso (ou não?). E ardiam. Muito. Algumas, salgadas, vinham se alisando maliciosamente nos meus lábios, se jogavam sem pudor, chegavam na minha língua. Misturaram-se com minha saliva.
* Meus joelhos estouraram. Tudo que vi no chão foi uma substância pastosa e fervente tingida de um vermelho forte, borbulhante, que corria para fora de mim. Parecia que fugia, que não queria mais pertencer a essa carcaça, compartilhar dessas cicatrizes, não queria mais.
* Ardia em febre. Meu tórax e abdome tornaram-se avermelhados. Meu coração começou a bombear com mais força que o normal. Começou a agitar-se, a contrair-se descontroladamente. Queira abandonar meu peito. Nos milinésimos de segundos de lucidez, imaginei que aquilo talvez fosse, de algum modo, semelhante a um trabalho de parto. Havia ali algum resquício de vida atravessando meu peito, sua expulsão/nascimento costurando um caminho e descosturando meus vasos e artérias, num impulso incontrolável e devastador.
* Sentia o rasgo nos pulmões aumentando de tamanho, engolindo meus alvéolos. Minhas costelas estavam sendo roídas pela alta temperatura, meu esterno se abria para fora, queria ganhar o céu, queria alcançar as nuvens.
* Minhas lágrimas mais espertas já se jogavam pelo meu pescoço, já sentia-as traçando caminhos sinuosos em meu pomo-de-adão.
* Meu abdome estava sendo cozido por dentro. Meu coração pula para fora, estoura o pouco do meu corpo que o separava do mundo exterior. Polui o ar ao meu redor com sangue quente, continuo chorando, agonizante, não acreditando naquela sobrevida, desejando estar morto. Não suporto a dor. Sentia uma leve frieza nas costas, parecia que minha alma também chorava, meu anjo da guarda se apiedando daquele resto de humanidade se desfazendo em grosso sangue.
* E ali, deitado naquela sopa vermelha e bêbado de agonia, perdi a consciência. Ainda pude ver meu fígado se dissolvendo, meus intestinos se entrelaçando como dois vermes abissais, me confrontando com olhares maldosos. Meus rins secaram até atingirem o aspecto descarnado e esquálido de frutas natalinas, meus genitais foram reduzidos a pó pelo calor em questão de segundos. Meus dentes caíram, um a um, naquele caldo denso e em ebulição que já estava formado sob meu corpo caído no chão. Meus olhos já se afrouxavam e meus dedos apodreciam.
* Me disseram que explodi.
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Pílula n° 19 do dicionário "Para Entender o Pornô":
Freaks: Atores/atrizes do mundo pornográfico portadores de deficiências físicas graves, como anões, siamesas, mutilados de toda espécie e obesos mórbidos. Qualquer fita que mostre cenas explícitas com presença de freaks obrigatoriamente ganha o selo 'freak', o que tornou este tipo de filme uma subcategoria famosa e facilmente reconhecível nas prateleiras.
::: posted by EDUARDO OLIVEIRA at 11:48 AM
Terça-feira, Fevereiro 01, 2005 :::
"Everybody I know has gone away
Died or left or just forgot to stay
Sometimes took for granted, sometimes turned away
Sometimes didn't say what I meant to say"
(Manson/ Markes/ Erikson/ Vig)
Garbage, "Dog new tricks"
* Parece que eu sou inseguro?
* Pois é, em muitos momentos eu sou sim. Mais do que você imagina, em várias horas eu preciso de uma palavra amiga, de um ombro pra me acudir, de alguém que me ouça reclamar das coisas chatas que aporrinham minha vida, dos pequenos detalhes com as quais eu não sei lidar e dos problemas dos outros que eu insisto em querer fazer meus.
* E não venha me dizer que o mundo é injusto, que a vida é assim mesmo, que eu tenho que me acostumar. Acho que a verdade é que eu estou no meio de amigos relapsos, parentes ressentidos e egoístas de toda ordem, que são incapazes de perceber que há alguém do lado deles extremamente frágil, que se finge de fortaleza para inspirar os outros, mas por dentro é uma criança assustada diante deste mundo cheio de perigos, hipocrisias e dissimulações.
* São pessoas que não têm a habilidade necessária para dizer as coisas na minha cara e apontar todas as merdas que eu faço. Preferem falar nas minhas costas, preferem fingir que se importam comigo quando na verdade sabem que estão sendo omissos, irresponsáveis e levianos.
* Parece que eu sou inseguro?
* Pois é, em muitos momentos eu finjo que sou, sim.
* Diga lá se não sou um bom ator?
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Pílula n° 18 do dicionário "Para entender o Pornô":
Fluffers: Mulheres encarregadas de manter a ereção dos atores nos intervalos de gravação entre uma tomada e outra dos filmes. Algumas felatrizes (consultar verbete anterior) atuam como fluffers.
::: posted by EDUARDO OLIVEIRA at 5:41 PM