Sexta-feira, Maio 27, 2005 :::
"I don't want to be shy
Can't stand it anymore
I just want to say 'Hi'
To the one I love
Cherry blossom girl
I feel sick all day long
From not being with you
I just want to go out
Ever night for a while
Cherry blossom girl
Tell me why can't it be true"
(Air)
Air, 'Cherry Blossom Girl'
* Moçada, isso aqui ficou tão bonito que eu não pude desperdiçar.
* A título de informação, isso foi dito numa Reunião de análise de Mídia mês passado, aqui na Uga-Uga. Fui eu mesmo quem disse (tá gravado, não adianta chiar!). Como fala de uma coisa muito próxima e problemática aos jornalistas, resolvei postar para que vocês reflitam um pouquinho sobre o cotidiando dessa profissão tão bacana quanto inglória.
* "Eu vejo que essa angústia vem muito da questão de que o jornalista tem que conviver com dois tempos, dois tempos que vivem em conflito. Um é aquele da redação, que é imediatista ao extremo, em que você tem que vender mais exemplares do jornal amanhã do que hoje, que você tem que terminar a matéria para ontem, que você tem que falar com a pessoa agora, que você tem que ter os dados agora. E outro, que é típico de um processo muito mais lento, que é deste que a gente está conversando, de consolidar as estruturas que a gente têm na sociedade civil, de fazer com que as legislações cheguem de uma forma acessível e humanizada ¿às bases¿, por assim dizer. E esse é um processo muito mais longo, que não tem nada de imediatista. Muito pelo contrário: ele é processual, lento, gradual, cumulativo. Então são dois tempos que você tem que trabalhar e que entram em conflito cotidianamente. Essa é uma das ¿angústias¿ do jornalista, é uma dinâmica muito difícil de administrar tanto na prática quanto na nossa cabeça. Estamos nos perguntando o tempo todo se o que fazemos é suficiente, se podemos fazer mais".
* O jornalista Ricardo Noblat disse tudo: Se as pessoas tivessem noção de como um jornal é produzido, deixariam de acreditar em 99% do que lêem.
* Se cuidem!
::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 2:52 PM
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Terça-feira, Maio 17, 2005 :::
"Tudo sempre pode ser um pouco melhor
Se as coisas são ruins, melhor não tê-las
Viver o tempo todo esperando o pior
É a meta pra quem quer ser mais ou menos"
(Kassin)
Autoramas, 'Mais ou Menos'
* Qual é a do seu irmão?
* Eu tenho dois, ambos mais novos. Um menino e uma menina.
* Acho extremamente saudável o fato de ter irmãos. Embora possam surgir umas briguinhas aqui e ali, acredito que o exercício do convívio em família é extremamente benéfico. Ter irmãos significa habitar um pequeno micro-cosmo onde podemos exercitar a arte da negociação, a argumentação lógica, o convívio com pessoas diferentes e a troca de idéias e experiências, característica essencial de quem pretende viver, de um modo saudável e amistoso, numa sociedade tão plural, diversa e complicada como a nossa. É fato que, além dos pais, os irmãos que nascem, vivem e crescem junto conosco são seres que exercem uma influência importantíssima na formação de nossa personalidade.
* Creio que desenvolver relacionamentos amigáveis com os irmãos é o primeiro passo para uma convivência social pacífica, que centra a atenção no diálogo, na compreensão e no respeito ao espaço alheio. Também acho que, graças ao convívio entre irmãos, entramos em contato com universos diferentes dos nossos ¿ temos a oportunidade de conhecer pessoas novas, lugares novos, tendências novas. É, no mínimo, uma oportunidade a mais de estar bem informado (ou de estar mais acessível a certas baboseiras).
* Os irmãos também podem ser interpretados como ¿espelhos¿ seus. O convívio próximo faz com que as personalidades se influenciem umas às outras e ¿reflitam¿ determinadas características. Assim, observando o comportamento de seu irmão, você pode reconhecer qualidades suas nele. Assim como ele pode reconhecer traços da personalidade dele em você. Esse processo é contínuo, gradual e cumulativo. Ou seja, acontece a longo prazo, e geralmente passa imperceptível a nós.
* Me impressiona a capacidade que as personalidades têm de se adaptar, de aprender umas com as outras, de usar a experiência alheia como referência e levar isso para suas próprias trajetórias. É algo maleável, flexível, e sujeito a imprevistos. E, na minha opinião, por isso mesmo é fascinante.
* Os momentos de conversa, os almoços em família, os programas em conjunto se tornam, então, espaços importantíssimos de formação de nosso caráter e personalidade. Acompanhando o crescimento de seu irmão e presenciando as experiências dele, as roubadas dele, as oportunidades dele, você pode refletir sobre esses mesmos elementos e se preparar para encarar determinadas situações antes que elas aconteçam com você.
* Você pode aprender a ser mais paciente observando como seu irmão se sujeita a situações chatíssimas sem reclamar; pode conseguir ser mais agressivo observando como seu irmão externa a agressividade de modo produtivo e positivo; pode ser mais direto vendo seu irmão poupar tempo sem se envolver em questões irrelevantes. Por outro lado, você também pode perceber o que não quer ser por meio do comportamento dos seus irmãos. Você pode determinar e escolher que situações, dilemas e escolhas você não quer para si.
* Sempre há um pouco de você nas atitudes, opiniões e pensamentos do seu irmão. Sempre há um pouco de você nas coisas que ele deixa de fazer, nas roubadas em que ele se mete e nas coisas que começa e não termina. Assim como sempre há um pouco da alma dele nas suas ponderações.
* E aí?
* Qual é a do seu irmão?
::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 5:17 PM
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Terça-feira, Maio 10, 2005 :::
"Tem certos dias em que eu acordo
Suando frio como um cachorro vadio
Esperando que a madrugada me ofereça
Prazeres baratos em oferta
Encontro todas as pessoas conhecidas
Em bares repletos de almas vazias
Levando uma dura nas esquinas próximas
Das ruas que eu conhecia
A cidade é a mesma e o concreto me excita
Enquanto eu caminho meu bairro me acompanha
Com a lama grudada em minha sola
Como a fé que se congraça na esmola"
(Charlie Perfume)
Charlie Perfume, "Alícia Lexotan"
* Olá pessoal!
* Tenho andado meio ausente, né?
* Nesse meio-tempo, um papa morreu e outro foi eleito.
* Por falar em papa, vocês viram a cara de chatinho que o novo Pontífice tem?
* Deixa eu contar uma coisa pra vocês: são histórias assim (papa velho morto- papa novo eleito) que me trazem a idéia de finitude que o homem tanto abomina.
* Eu tinha, no fundo do coração, a impressão de que João Paulo II seria eterno. Desde que me entendo por gente, ele está por aí, abençoando cristãos e não cristãos em seus passeios pelo mundo. Desde que me entendo por gente também, ele viaja bastante. Mais até do que nossos mais recentes presidentes.
* Pois bem, as decolagens e aterrisagens do Papa são sempre cercadas de rituais (hoje em dia) batidos. Sabe aquele lance de beijar o chão onde ele aterrisa?
* Qualquer coisa que o finado Sumo Pontífice fizesse era cercado de cerimoniais, rituais, regras. Essa falta de espontaneidade e impessoalidade dos rituais, inclusive, é um das características típicas da Igreja Católica.
* E esse exagero de normas fazia com que, mesmo com o passar dos anos, os procedimentos católicos fossem todos idênticos. Depois de uma certa idade, você começa a cantar a pedra de todos eles - a Missa do Galo, a Missa do Domingo de Páscoa, uma declaração abençoando e pedindo pelas famílias, um encontro com os 'jovens do mundo', outro com chefes de Estado, apertos de mão politiqueiros, fotos em jornais por todo o globo, etc.
* Na minha jovial mente, ocupada com trabalho de federal, números de passes na carteira e trocados para ir ao cinema, o bom velhinho (com as devidas desculpas ao Papai Noel) passaria o resto da eternidade viajando de lá pra cá, rezando e orando por todas as boas almas do mundo.
* Até que, de repente, ele começa a ter problemas de saúde e fazer visitas ao hospital. As visitas, com o tempo, ficam mais frequentes, mais demoradas e despertam maior preocupação mundo afora.
* E eu, ainda atordoado com os preço dos cd's que eu quero comprar, com o próximo show da minha bandinha favorita e com o horário do almoço (pra não chegar atrasado ao trabalho), passo ao largo do sofrimento de João Paulo II.
* Quando soube que o sacerdote mais importante da Igreja Católica havia falecido, antes de qualquer reação consciente só pude pensar:
* "Nós fudemos!"
* Se eles, que são os caras mais caras de Deus, os cristãos mais exemplares do mundo, os bosses dos bosses, morrem, agonizam, entram no bisturi, tomam soro e passam desta para uma melhor, o que será de mim? Estagiário- suburbano- consumista-capitalista? É, tô na merda mesmo...
* Talvez seja o aspecto conservador e, de certa forma, retrógrado dos taurinos. Talvez seja pura falta de informação minha. Talvez seja indiferença pela crença que professei até dia desses. Talvez seja piedade de um velhinho famoso, caridoso e sofredor. Mas me surpreendi de verdade quando soube que João Paulo II morreu.
* E ele fez bonito, veja só. Tornou seu sofrimento público, fez todo mundo sentir pena daquela figura aparentemente inofensiva, torta, fraca e indefesa que carregava sobre os ombros octogenários uma história política de dois mil e poucos anos.
* Até a Veja ajudou - vocês lembram da capa em que ele agoniza querendo falar? Nojenta. Golpe baixo. Sacanagem. Foi publicada há quase dois meses, acho.
* Assim, todo mundo sentia pena e se entristecia junto com o milhão de católicos mundo afora. Quem já nutria uma simpatia pela organização deve ter até chorado.
* A morte de João Paulo II foi, assim, uma lembrança à galera dos vinte e tantos (a minha geração) que Ela é inevitável. Ela chegará e vai levar os nossos ícones, todos aqueles que fizeram nossa infância e adolescência tão mágica. É um exercício espiritual para que possamos estar preparados quando Ela chegar.
* Primeiro foi o papa João Paulo II - eterno para a galera que nasceu nos anos oitenta. A Xuxa também vai, a Angélica também, a Hebe, o povo do Roupa Nova, o Sílvio Santos. O Willy Wonka, o Marcelo Nova, o Juba e o Lula, a Zelda, o Maluf, os Menudos, o Morrissey, o Bono Vox, a moçada do Echo & The Bunnymen, a Madonna, o Michael Jackson. O Russo, o Roqueêêêêê, a galera da tv Pirata, o pessoal da Caverna do Dragão, o Richtie, o Boris Yeltsin, o Sarney... Os Goonies, o Harrison Ford, o Capitão Planeta, o Frank Miller, o Alan Moore... vai todo mundo!
* Até chegar nas esquinas mais próximas - nossos amigos, nossos pais, irmãos, sobrinhos...
* Quando Ela chegar até nós, perguntando se estamos prontos ou preparados, eu sei que vou dizer algo mais ou menos assim:
* "- Ah, sim, com certeza. Mas antes de ir, queria saber se, quando chegar lá, vou poder conversar com aquele velhinho gente boa. É, aquele mesmo que foi Papa um tempão, que ajudou a derrubar o comunismo, que fodeu as pesquisas contraceptivas, que militava contra a camisinha. Sabe, o João Paulo II? Será que dá pra eu ter dois tecos com ele de conversa? Se puder, vou agora! Deixa só eu preparar a bebida, tá?"
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Pílula n° 22 do dicionário "Para Entender o Pornô":
Mature ladies: Velhinhas do balacobaco - sabe aquela vovozinha que tem p-u-t-a-r-i-a escrito na testa? Pois é.
::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 9:11 AM
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