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Fala sério... precisa mesmo disso?  

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Sexta-feira, Dezembro 30, 2005 :::
 
"Vou morrer nos seus olhos, menina
Não há tempo de me salvar
Vou correr pros seus olhos como luz
Na sua íris me afogar.

Minha vida passando na sua vista
Você nem pisca
Lacrimeja e se irrita.

Cristalino, cristalino

Pois agora é muito tarde
Já estou na sua retina
Se o pensamento não lembrar
Vou morrer nos seus olhos, menina.

Cristalino, cristalino."

(China/Rafael Crespo)
China, "Cristalino"

- Sabe o que eu sempre gostei em tu?
- Não. Diga...
- É essa tua capacidade de falar mal dos outros sutilmente. Assim, tu consegue falar mal da gente sem que a gente fique chateado ou puto contigo, sacou? Acho que é difícil encontrar gente assim que tenha essa habilidade. Normalmente a gente odeia quando falam mal de gente, mas tu faz isso de um jeito ao mesmo tempo engraçado e sutil, o que faz com que ninguém saque que tu ta falando mal dessa pessoa. Entendeu?
- Eh... sei lá. Acho que tu ta viajando na maionese. Pára de beber, Hugo, tu ta começando a falar merda.
- Porra, vai se fuder. Eu tô falando sério. Pergunta da Gi, do Antônio, da Clara. Todo mundo acha isso.
- Bicho, eu acho esse negócio de sutil muito veado. Quando eu to puto, eu chego e falo: mermão, eu to puto contigo. Não inventa que se não é encrenca.
- Hahahahahahahahahahahahaha... (boca bem aberta)
- Do que tu ta rindo?
- Da tua idiotice. Pô, tu nunca ia chamar alguém pra briga. Tu é todo otário, não consegue nem ver sangue, cara... para com isso, não te conheci ontem não... heheheheh
- Acho que tu ta zoando comigo.
- Por quê?
- Sei lá, ta falando um monte de merda de mim... tu é veado por acaso? Sei lá, fala de uma mina aí, da mulher da Playboy, da gostosa do Pânico... ô vontade ficar falando de macho.
- Essa é a segunda vez que tu usa veado em dois minutos de conversa. Tu ta com algum tipo de fixação?
- Porra, vai se fudeeeer! Idiota, não enche meu saco, escroto imbecil. Vai pra puta que o pariu, pô!
- Ei, não me empurra não! Ta folgando, é?
- Ta ok... desculpa.
- Falou.
- E a Sônia?
- Que que tem a Sônia?
- Comeu ela ontem?
- Todinha. Do jeito que tu imaginar.
- E ela faz tudo aquilo que o Bicudo diz?
- Não. Faz melhor.
- Porra... assim é do caralho!
- E aí?
- E aí o que?
- Rola de novo?
- Sei lá...acho que sim
- Reveillon ta aí... aproveita logo e começa o ano novo fodendo ela todinha.
- Não não. A Cíntia já ta aí.
- Putaqueopariu! A Cíntia não, muleque! Porra, te odeio, seu escroto filho da puta. Por que ela?
- Ela ficou me dando bola. Me ligando. Me chamando pra sair. O que é que eu vou fazer? Não tenho culpa se tu sofre de ejaculação precoce.
-Porra, tu sabe que eu namorei com ela, sua bicha! Comer a mulher dos outros é o fim da picada!!
- Não posso fazer nada se tu ficou ano e meio negando fogo.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Diz.
- Tu já comeu ela?
- Todinha. Do jeito que tu imaginar.
- Caralho, seu filho da puta. Não fala assim da mulher dos outros, porra! Olha a falta de respeito.
- Tu que perguntou.
- Ta bom. E ela ainda faz tudo aquilo que eu te contava?
- Não. Faz melhor.
- Porra... (...) E aí?
- E aí o que?
- Rola de novo?
- Sei lá...acho que sim.


::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 10:18 AM


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Terça-feira, Dezembro 27, 2005 :::
 
"Diz pra mim
Qual é o teu prazer
De voar, voar assim
Me parece meio chinfrim
Rodar o mundo pelo ar
Voar, voar assim

Quantos bairros você viu?
Quantas casas já contou?

Voar, voar assim

E os passarinhos do teu lado?
E os meninos mal-educados?

Voar, voar assim

E os nosso pilotos desvairados?
E os nosso pesadelos-urbanos-alados?

Voar, voar assim

Me parece meio chinfrim
Voar, voar assim

Como você sabe? Como você desce?
Que paisagem te merece?

Diz pra mim
Qual é a tua delícia
Me parece meio chinfrim
Rodar o mundo, levitar
Voar, voar assim"

* Isso vai virar uma música já já

::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 1:50 PM


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Sexta-feira, Dezembro 23, 2005 :::
 
"Viva a felicidade
Abolindo quase toda a maldade
(...)
Eu era sem primavera
Dessas que o ano não principia
Poesia não me dizia
Ternura em mim não havia
Faltava encanto na melodia
Não parava uma saudade
Velha de pouca idade
Ia vivendo a necessidade"

(Vanessa da Mata)
Vanessa da Mata, 'Bem da Vida'

* Nem sempre acontece.

* Mas, às vezes, é inevitável. E vai chegando discretamente, como se não fosse nada além de uma dorzinha estranha no meio do peito. Aí você tenta ver tv e não consegue. Tenta ler alguma coisa e também não dá. Se ajeita na cama, põe o lençol por cima das pernas e fica olhando pro teto. A dorzinha está lá. E não te deixa dormir.

* Meu heróis de filmes, sempre que passam por uma situação dessas, abrem a caixinha do Hollywood e acendem um cigarro. É pose até não poder mais. Mais eu queria fazer aquilo também. Pôr no rosto uma cara de poucos amigos, franzir a testa, segurar o cigarro com uma mão e com a outra acendê-lo, usando um isqueiro, iluminar um daqueles quartos escuros e fétidos que só existem em filmes mesmo ¿ porque quem ainda mora com a mãe nunca tem quarto escruto e fétido, convenhamos.

* Pois bem, a dorzinha continua lá. Eu poderia também ir até a cozinha e pegar, numa das mais elevadas prateleiras que temos em frente à pia, nossa caixinha de remédios. Teria que ter muito cuidado, porque senão a cesta cairia das minhas mãos e derrubaria uma infinidade de pílulas, comprimidos, xaropes e antibióticos. E eu adoraria limpar o chão a essa da madrugada (há há há!). Mas a preguiça é maior e eu continuo na cama. Com as pernas cobertas pelo lençol. Sem conseguir dormir. E com a dorzinha no peito.

* O teto do meu quarto é uma monotonia só. Uma luminária luxuosa que me dói a vista e uma branquidão total. Sem graça... nem um carapanã, nem um riscadinho, nem uma rachadura ou teia de aranha. Devem ter limpado isso hoje. Ou ontem. Mas tem mais de ano que foi pintado. Disso eu tenho certeza. E a dorzinha lá.

* Começa o exercício odiado por onze entre dez insones do mundo. Rola pra lá, rola pra cá, o lençol estica, dobra, amassa, me descobre, puxo com a mão novamente ¿ tá frio à beça aqui dentro. Mas eu não consigo dormir. Pego meu celular e acabo escrevendo uma mensagem, subitamente e sem propósito aparente. Diz assim:

¿Meu amor, t amo d+! To com muita saudade de tu, keria t ter aki do meu lado. Não eskece q eu t amo, ta? Com akeles bjinhos q são so seus¿

* "Mensagem enviada"

* De repente, a dor vai passando. Ela vai embora assim, tão discretamente quanto veio. E eu finalmente consigo dormir.

* Inda bem.

::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 9:02 PM


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