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Quinta-feira, Agosto 24, 2006 :::
 
"Carbonos perfeitos, os mesmos defeitos
simples química
São regras da química os laços estreitos
do seu desinteresse com minha falta de jeito
Cadeias atômicas e não sentimentos
nos mantêm ligados, nos mantêm detentos
Simples química
Meu lado direito é sua esquerda inexata
Metade partida da minha forma espelhada
Eu já perdi o sono pra te encontrar acordada
Base de carbono na forma mais complicada
Simples química"

Tom Bloch, 'Carbonos Perfeitos'
(Pedro Veríssimo, Gustavo Mini)

Ultimamente, tenho reaprendido a me relacionar com certas coisas. Larguei um emprego ótimo no Colégio Dom Bosco, paixão ad eternum desse pop-pai que vos escreve, e mergulhei de corpo e alma nas ondas instáveis do jornalismo no jornal A Crítica. Deixei muita gente surpresa na escola e larguei um bom salário, um ótimo ambiente e diversos projetos de educomunicação (outra paixão minha, again and again). Além disso, abalei uma respeitosa e estável amizade com um escolhido do Senhor em virtude de uma postura tão descompromissada, imatura e imediatista própria do jornalismo, meus amores ¿ a culpa não é só minha, viu? Em virtude disso (...)

Antes que perguntem, estou adorando a condição de pai-e-marido-dono-de-casa. Não tenho tido tempo nenhum de curtir uma tarde de chuva ou um por do sol romântico no parque com as minhas pretinhas, tipo novela, saca? Tenho um certo peso na consciência com isso, mas tenho adorado a paz de espírito e porção de responsabilidade daqueles que só quem saiu de casa sabe como é. Uma puta falta de grana pra fazer os trilhões de coisas que dão vontade, mas porra, eu tenho ar-condicionado no meu quarto, compro iogurte toda semana, tô acompanhando a Crise Infinita direitinho e ando de ar-condicionado no carro dos meus pais ¿ pondo gasolina toda vez que assumo o volante. Não tenho uma vida tão ruim assim, né? Seguindo as recomendações da Mistress Ana Paula Salvador Ramos (informalmente ¿de Oliveira¿ também), nosso próxima aquisição será uma máquina de lavar. Nossa, como eu vou adoooraaaar escolher o novo modelo da Brastemp pra minha casa! ¿ ¿té parece. Por falar nisso, a Brastemp fabrica máquinas de lavar?

Por outro lado, ainda não consegui mandar a merda da Ufam pro inferno de um vez ¿ a bendita/maldita monografia ainda é um fantasma que me assusta, e muito. Pô, se todos os meus colegas (até aqueles mais burrinhos) conseguiram, porque é que essa porcaria tá tendo um parto tão escroto comigo? O que é que eu (não) tenho que não consigo terminar essa merda? Mistérios, mistérios... Se tudo der certo e eu me formar junto com o meu irmão ¿ o constrangimento é óbvio, né? - vou colar grau só em maio de 2007. Bom, grandes merda, né? Não vou ficar mais rico ou mais charmoso por causa disso. (Ou será que vou?) Mistérios, mistérios...

Recentemente, fui pra Iranduba e Manacapuru cobrir as desgraças alheias do povo de lá. Tô começando a perceber que desgraça é desgraça em qualqueeeeer lugar, não importa se no Alto ou Baixo Amazonas, na África, no Zâmbia ou na Ásia. Afinal, qual é a grande diferença de não ter água no Brasil ou no Caralhaquistão do Sul, nos confins do Universo? Nenhuma, né? Presepada não escolhe local, até onde eu sei.

Se eu quero ficar no colo da minha mãe? Ô se quero! Se quero me enfiar debaixo da saia daquela mocinha loirinha graciosa que eu conheci no Eco Music? Ô se quero! Se eu quero voltar a falar merda 24 horas por dia full time junto com a galera da Matinha e do Kyssia? Lógico. Mas nada me faz querer perder um abraço aconchegante da Paula, nada me deixa mais comovido que um sorriso da Beatriz, nada me deixa mais feliz do que ter um lugar meu pra voltar, pra ver, pra visitar, pra ler, ouvir, saber... O quer quer haja ali, naquele local, é meu. Aquele orgasmo fulminante com a Paula é meu, aqueles pezinhos branquelos e agitados da Beatriz são meus, aquele chuvisco na tevê que ainda não tem antena externa é meu também.

Não há, agora, preço no mundo que me pague essa proximidade e esse apego, esse conforto e acalento.


::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 2:42 PM


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