Sexta-feira, Julho 20, 2007 :::
"Yara é uma garota de Cuba, danada pra namorar
Fugiu com um brotinho pra Aruba antes de vir pra cá
Strip-teases em Porto Rico, nos cassinos de Trinidad
Fez do Amazonas o seu Nilo e São Paulo: Bagdá"
(Nelson Jacobina/Tavinho Paes)
Orquestra Imperial , ‘Yarusha Djaruba’
* Uma das coisas mais interessantes a respeito da vivência do jornalismo é o fato de que você deve aprender a conviver com o contraditório. Cada parte precisa te convencer de que está certa e tem razão, e você tem trabalho (e que trabalho!) para se manter neutro, na medida do possível - até porque essa é a discussão mais clichê do jornalismo de todos os tempos - antes de redigir qualquer linha.
* Muitas vezes, é preciso uma boa dose de paciência e bom senso para equilibrar seu material, seja texto, foto, vídeo, entre as versões de um e de outro. Você deve ouvir um, ouvir outro e pesar as coisas que foram ditas, as expressões usadas, as explicações contadas. Aquilo que não é dito também conta!
* As complicações são todas inglórias e nem sempre valem a pena, e as frases de efeito, desafiando o repórter, encontram uma variedade incrível de modos para se manifestar e machucar o ouvido alheio - no caso, o meu: “vocês tem que investigar para saber se é verdade!”, “vem aqui que eu te mostro”, “eu já falei que é mentira!” (esbravejando) “ele te provou para você estar me perguntando?”.
* Muitas vezes é preciso explicar que sou jornalista, não advogado, promotor, policial ou médico (tem uns que precisam é de babá mesmo). Fora aqueles que ameaçam processar o jornal, o repórter e qualquer um que fale mal do cara que se defende.
* Porém, o mais irritante é o filho-da-puta que usa o nome dos donos do jornal para tentar te intimidar. Geralmente, esse é o que mais se fode, porque quando ele faz isso a neutralidade se joga pela janela e o texto é escrito com ranço, raiva, ódio mortal e todo o tipo de coisas escrotas que você pode desejar para alguém (eu já tentei combater isso, mas não deu... sangue de barata é pra outro).
* No caso, a melhor resposta tanto para um lado, quanto para o outro, é a matéria publicada no jornal no dia seguinte: o que foi uma conversa amena vira uma grave acusação, a “denúncia bombástica” feita pela fonte vira uma desprezível nota de rodapé. Até que o material veja à luz do dia, há todo um processo que envolve editores, fotógrafos, direção, reportagem e que ocorre dentro da redação. E que é fundamental à vivência democrática (desculpa o clichê, mas é isso mesmo). Para qualquer matéria publicada em jornal, o último minuto nem sempre é o definitivo.
* Enfim...
::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 7:30 PM
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