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Quinta-feira, Agosto 23, 2007 :::
 
“Era pra eu estar deslumbrado
Com tantas opções que pintam na minha frente
Não consigo ficar acostumado
São muitas novidades que aparecem de repente
Chega de tanta liberdade
Tem gente que nasceu pra ser obediente

Mundo Moderno
Me tirem desse inferno
são tantas coisas novas pra experimentar
Alguém me ponha no meu devido lugar”

(Gabriel Thomaz)
Autoramas, ‘Mundo Moderno’

* É meio velhinho, do ano passado, mas ficou tão conciso e simples que nem parece que fui eu quem escreveu (Sabe como é, a prolixidade não é exatamente um dom) ...

* Três visões sobre o mesmo feriado

1. O vigia Juarez Dias Fonseca, 63, cumpre há vinte anos o que chama de ‘castigo’ com a chegada da Semana Santa. Sua tarefa é cuidar de um centro comercial localizado na Avenida Sete de Setembro durante todo o feriado. “Cheguei hoje (quinta-feira) e só vou sair no sábado pela manhã”, afirma. No sábado à tarde, ele volta ao centro comercial para sair somente na segunda-feira, quando o comércio abre novamente. Apesar de passar quatro dias consecutivos fora de casa, Juarez não se preocupa em preparar vestuário e alimentação para enfrentar a maratona. “Minhas filhas trazem roupas e comida para mim”, explica.

* Quando questionado sobre o que faz durante todo este tempo, o vigia revela-se um homem pragmático e religioso. “Fico tomando conta dessas lojas”, diz. De acordo com ele, o único fato que altera sua rotina durante a vigília é a encenação da Via Sacra, que ocorre na Sexta-Feira da Paixão e passa em frente ao centro comercial onde trabalha. “Como sou católico, me preparo do jeito que deve ser: monto uma mesa com um crucifixo, um terço e faço minhas orações”. Juarez diz que o ponto localizado em frente à sua mesa é a terceira estação da Via Sacra, quando Cristo cai pela terceira vez.

* Juarez retribui a visão privilegiada do evento guardando as tradições da Páscoa: ‘Acho muito ruim o fato das pessoas não cumprirem os rituais. Mas quem é católico ainda respeita as tradições”, afirma.

2. O corretor Natan Rodrigues, 20, passeava pela área interna da Catedral com sua mulher, a dona de casa Márcia Oliveira, 22, e a filha Nauana Oliveira, de 7 meses. De acordo com o rapaz, eles estavam aproveitando o feriado para tentar esquecer o stress do dia-a-dia: “Viemos aqui para amenizar a correria dos dias de semana”, diz. Márcia declara quem foi ela quem deu a idéia de ir à Catedral, pois tinha muita curiosidade de conhecer o lugar. A família mora no Mutirão e não costuma fazer passeios fora de seu bairro. “Como temos uma filha pequena, ainda dá muito trabalho andar de ônibus com ela”, justifica Natan.

3. A costureira Odenilda dos Santos, 38, assistia à apresentação de uma banda evangélica no entorno da Catedral. Ela aproveitava o feriado para fazer compras no Centro da cidade quando foi ‘capturada’ pelo som da banda Ministério de Louvor da Comunidade Athus: “Estava procurando alguns utensílios para a minha casa quando ouvi as músicas que eles tocavam. Achei as canções muito bonitas e parei para assistir ao show”, explica. A costureira, que frequenta a Igrja Universal do bairro de Petropólis mas não tem nenhuma religião, diz que sempre passa por ali mas nunca havia visto a banda tocando. “Vou ficar até o fim da apresentação”, disse a costureira.


::: expelido por EDUARDO OLIVEIRA às 7:22 PM


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